domingo, 25 de abril de 2010

Viajante

As primeiras fumaças mancham o ar, e desaparecem com o vento.
Feito um antídoto capaz de me levar ao céu e ao inferno
em questão de segundos.
Os pensamentos pairam no ar, assim misturando-se uns ao outros, embaraçando-me a cabeça. Uma irrealidade tão real, tão alucinante, calmante, brisante.
Onde não há nada o que fazer, o que dizer, o que temer, onde ir.
Mais dois tragos, mil caminhos pela frente.
Três tragos, qual deles seguir? Me dê ao menos uma dica, uma solução, uma referêcia.
Oh não, meu coração quer falar, ele precisa falar. Não, ele não pode falar.
Meu coração fala uma língua distinta ao da minha razão; razão aquela coisa embaraçosa e conturbada denominada de mente.
Quarto, quinto trago, entram em atrito razão e emoção, deixando me louca, e sem saída.
Quando um fala o outro sempre ouve, mais nessas horas, os dois se misturam, transformam-se num pensamento só, numa coisa óbvia, ou não. Queria eu que fosse óbvia, ou não.
Fico eu pensando, no porque daquilo, qual foi o erro?. Busco a fundo uma solução, o motivo pelo qual deixei chegar nisso, o que eu fiz pra ter sido desse jeito.
Em voz baixa, digo.
''Ei, não seja assim, não faz assim, olha pra mim dentro de mim e veja, veja o que eu sinto.
Sinta o que eu sinto e não me pergunte de onde tiro forças pra aguentar, ou de como cheguei até aqui.
Estou seguindo, vou seguindo. e assim seja.''
Sexto e últimos tragos, me sinto mais aliviada, pude desabafar e dizer, o quão dificil é ter que conviver com isso, com essa dor inevitável.
Não nego a perfeição, não escondo os momentos de sorrisos, de palavras e carinhos mútuos, dos abraços e dos beijos sinceros.
Mais lidar com ''isso'' não é fácil.
''Isso'' que eu chamo de Amor.
Porém, resta-me uma ''ponta'' de esperança.
É, cada um com sua brisa!
(Larissa Lais)

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